domingo, 27 de janeiro de 2008

Existe uma Cibermilícia Chinesa?

Em meados de dezembro passado recebi de um amigo o link para uma matéria da revista Time na qual se dizia que havia uma guerra cibernética entre os Estados Unidos e a China. De acordo com o texto, alguns órgãos do governo dos EUA estavam recebendo milhões de conexões não autorizadas e phishings diariamente. A reportagem ainda diz que possivelmente existiria uma Cibermilícia bancada pelo governo chinês com o objetivo de obter informações confidenciais das instituições do governo e de seus fornecedores.

Confesso que não dei muita importância a reportagem e a liguei diretamente à paranóia americana que o sociólogo Barry Glassner trata em seu livro “Cultura do Medo”, no entanto o assunto cruzou novamente o meu caminho na newsletter SANS NewsBites Vol. 10 Num. 6 do SANS, órgão com foco em segurança da informação. De acordo com seus pesquisadores, este tipo de ataque (ou tentativa de ataque) tinha aumentado consideravelmente, mas lendo outras notícias sobre o assunto (a newsletter indicava quatro fontes, PCWorld, InfoWorld e duas da SC Magazine) não vi nada conclusivo sobre a atuação do governo chinês nas ações e sim amedrontadoras especulações como é praxe na mídia americana.

Acredito que todos os Governos praticam a espionagem, seja ela cibernética ou não, mas relacionar os ataques (ou tentativas de ataque) contra instituições americanas com a criação de um exército virtual Chinês, em minha opinião não faz sentido.

Não desconfio que hackers chineses bombardeiem diariamente o ambiente tecnológico de instituições do Estado Estadunidense como também não desconfio que hackers japoneses, russos, coreanos e até brasileiros façam o mesmo. Em minha opinião, assim como nos ataques de 11 de setembro, este é somente um reflexo da política adotada pelos EUA nos últimos anos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Eu critico, tu criticas, ele critica, todos nós criticamos...

Recentemente foi divulgado na Folha de São Paulo o projeto liderado por cientistas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e da UFRGS (Universidade Federal do RS) com o objetivo de entender a violência através de, entre outras coisas como análises genéticas e psicológicas, mapear o cérebro de menores infratores que estão cumprindo pena por crimes violentos.
Após a divulgação do projeto, diversos representantes da intelectualidade das Ciências Humanas divulgaram um manifesto contra o estudo, o acusando de eugênico.
De acordo com o manifesto:

“Privilegiar aspectos biológicos para a compreensão dos atos infracionais dos
adolescentes em detrimento de análises que levem em conta os jogos de
poder-saber que se constituem na complexa realidade brasileira e que provocam
tais fenômenos, é ratificar sob o agasalho da ciência que os adolescentes são o
princípio, o meio e o fim do problema, identificando-os seja como "inimigo
interno" seja como "perigo biológico", desconhecendo toda a luta pelos direitos
das crianças e dos adolescentes, que culminou na aprovação da legislação em
vigor - o Estatuto da Criança e do Adolescente.”

A resposta ao manifesto, veio do professor de genética da UFRGS, Renato Zamora Flores também à Folha. De acordo com o professor “cientistas e psicólogos sociais (...) desconhecem o conjunto de áreas do conhecimento denominadas de neurociências e que incluem, desde a bioquímica e a genética, até a neurologia e a psiquiatria” e complementa dizendo que “os críticos (ao estudo) parecem acreditar que fenômenos mentais e sociais ocorrem independentemente dos cérebros dos indivíduos.”
Em minha opinião - sem querer discutir sobre quem está certo nessa discussão - esta situação demonstra, antes de tudo, um progresso e um problema para a academia brasileira. Progresso porque cientistas tanto das Humanas e das Biológicas estão debatendo assuntos envolvendo ética na ciência e tem gente desenvolvendo (ou tentando desenvolver) pesquisas de tal porte e nível que só se via no noticiário internacional. Problema porque, ao invés de buscar o caminho da interdisciplinaridade os debates estão colaborando por aumentar ainda mais a distância abissal entre as ciências.
Vivemos em uma época na qual o elogio é politicamente incorreto (pode pegar mal) e a realidade está na crítica. Nós das Ciências Sociais criticamos o capitalismo, a arte, a política, a sociedade, as iniciativas dos governos, as pesquisas biológicas, etc.
No entanto, alguém teve a curiosidade (ou vontade) sentar com os professores da PUC-RS e UFRGS e entender a pesquisa?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ranking da Privacidade em 2007


Foi recentemente disponibilizado pela Privacy International, grupo que monitora violações de privacidade por governos ou empresas, os resultados de uma pesquisa com o objetivo de estabelecer um ranking mundial de 2007 dos países que respeitam e protegem o direito a privacidade.
Em uma grade de 1 a 5, o Brasil (que só figurou na lista nesta edição do estudo) tirou a nota 2.1 contra 3.1 da Grécia que, de acordo com o estudo é o país que mais protege a privacidade dos seus cidadãos. Entre os países das Américas o que tirou a melhor nota foi o Canadá com 2.9.
Os Estados Unidos, como era de se esperar por conta do caminho político que vem seguindo, ficou com a nota 1.5.

Mais detalhes sobre a pesquisa aqui

sábado, 5 de janeiro de 2008

O "Bolsa-Estupro": Uma insensatez

Atualmente está em tramitação no Congresso Nacional um Projeto de Lei de autoria Jusmari Oliveira (PR-BA) e Henrique Afonso (PT-AC) que obriga o Poder Público a fornecer os seguintes serviços a mulher vitima de estupro:


"I – colocar gratuitamente à disposição da mulher toda assistência social,
psicológica, pré-natal e por ocasião do parto e puerpério;
II – orientar e encaminhar, através da Defensoria Pública, os
procedimentos de adoção, se assim for a vontade da mãe;
III – conceder à mãe que registre o recém nascido como seu e assuma o
pátrio poder o benefício mensal de um salário mínimo para reverter em
assistência à criança até que complete dezoito anos."

Concordo com o primeiro e segundo item da preposição e já existem instituições do Estado com a capacidade de conduzir estes processos. Já o terceiro item, que ganhou o apelido de "bolsa-estupro", considero uma insensatez.

De acordo com a proposição dos deputados "o aborto é mais monstruoso que o estupro" de modo que a mulher vítima de estupro que engravidar deveria ser compensada com R$ 4.560,00 reais ao ano, cifra que chegaria a R$ 82.080,00 até que a criança atinja os 18 anos. Tudo isso considerando somente o valor atual do salário mínimo que é de R$ 380,00.

Embora não saibamos qual seria o índice de estupros que acarretam em gravidez, mas continuando o nosso exercício hipotético, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo registrou no terceiro trimestre de 2007 822 estupros no estado. Se 25% destes estupros (205) acarretassem em gravidez e todas estas mulheres optassem por se utilizar desta indenização seria gerado um custo de R$ 934.800,00 ao ano somente em casos originados no Estado de São Paulo.

A preposição não deixa dúvidas de que os deputados estão mais preocupados com minar as iniciativas dos movimentos pró-aborto do que resolver algum problema relacionado ao estupro pois este tipo de política assistencialista não se propõe a colaborar com a diminuição do estupro.

Entendo que o estupro é um problema de segurança pública e o aborto é um problema de saúde pública, pois aposto que o estupro é o item que menos figura na lista dos motivos pelos quais as mulheres geralmente abortam.

Embora eu não tenha opinião formada (e não tenho vergonha de dizer isto) sobre a possível descriminalização do aborto, penso que as mulheres brasileiras deveriam tirar este problema debaixo do tapete e discutí-lo de modo a ditar o modo pelo qual as próximas gerações irão tratar o assunto.

Digo as mulheres porque penso que o assunto do aborto é feminino e só as mulheres sabem o que é gerar uma vida. Desta forma, somente elas podem definir o que podem fazer com seu corpo.

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