Mudar de emprego
Mudar de emprego é um evento interessante. São tantas as novidades: Os caminhos que podem ser feitos para chegar ao trabalho; as alterações de data de vencimento das faturas adequando estas a data do pagamento; toda uma tropa de pessoas novas a conhecer; a aprender a lidar e a mostrar o profissional que é... Enfim, esta é uma experiência que nos tira de uma zona, não de conforto (embora para alguns seja), mas na qual estávamos acostumados (o que nem sempre é um conforto) para outra em que temos que reaprender algumas coisas.
Nos últimos seis meses mudei de emprego duas vezes, saí de uma gigante do segmento de serviços na qual estava há dez anos porque não concordava com a mudança na forma pela qual seria gerida a segurança da informação (área a qual atuo) e fui para uma gigante da área de telecomunicações a qual pensei que conseguiria pôr em prática muitos dos conceitos de segurança aprendidos nos últimos anos. Me frustrei quando notei que, por questões inerentes à cultura da empresa, não conseguiria me destacar como planejava ou, se conseguisse, isto seria às custas de muito mais tempo, esforço e doenças gástricas que estava disposto a dedicar ali.
Enquanto me questionava se estava mesmo no lugar errado dediquei uns meses para tentar diversas estratégias com o objetivo de conquistar o meu espaço e, enquanto isso dedicar à empresa o tempo necessário para não manchar minha imagem no mercado. No quinto mês a situação se tornou insuportável e, aproveitando a fase de crescimento da economia que proporcionava uma enxurrada diária de e-mails com vagas de trabalho, comecei a sensibilizar meus contatos. E foi um amigo, conhecedor do meu estilo profissional, que abriu o caminho para outra oportunidade, desta vez prestando consultoria no mercado de cartões de pagamento, com um considerável upgrade na remuneração. A saída da empresa de Telecom foi atribulada, mas hoje me sinto bem e acredito que, nos mares da economia brasileira os quais eram conhecidos por não terem ondas ou por serem “surfáveis” em curtos espaços de tempo sem o menor espaço para previsões, hoje é a maré está ótima e estou em um “tubo”.
O mercado brasileiro vive hoje uma situação de crescimento inédita na qual pululam oportunidades a todo dia, sem ainda termos alcançado o tal “grau de investimento” das agências de rating. Quando alcançarmos esta marca - a previsão é para o segundo semestre - a situação tende a melhorar ainda mais. Lógico que catástrofes podem acontecer: Existem sinais de uma forte recessão mundial devido à crise americana e os ânimos estão cada vez mais tensos na política mundial. No entanto, não iria ficar parado e insatisfeito por isto e penso que, na realidade esta situação pode até nos favorecer. O que quero dizer com tudo isso é que acredito que ninguém deve ficar se amargurando em atividades ou empresas as quais não deseja estar. Vivemos hoje em uma nova situação na qual os profissionais tem um poder maior na escolha de seu caminho profissional desde que não fiquem parados esperando as oportunidades caírem do céu.
Embora tudo tenha seus riscos e estes não devem ser ignorados, mas sim calculados, o mundo é grande e é bom surfar enquanto tem onda.
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